1989 a pequena memória das grandes cidades Londres

a pequena memória das grandes cidades

I have seen more than I remember, and remember more than I have seen

Benjamin Disraeli

 

Em Abril de 1989, ao chegar a uma das últimas salas da National Gallery, em Londres, deparei-me, de modo mágico, com uma das mais impressionantes versões de As Banhistas de Paul Cézanne, datada de 1905. Como uma epifania, soube a partir desse momento que a minha vida seria dedicada à história da arte. Depois dessa intensa experiência estética e existencial, procurei saber quem era Cézanne e sobretudo o que pretendia com o seu modo peculiar de pintar. Descobri num livro que ainda guardo esta frase do pintor de Aix: «Devo-vos a verdade em pintura. E vou dizer-vo-la […] Sou o primitivo de uma nova arte.» Daí em diante, iniciei a viagem da significação em arte. Percebi então que a verdade em pintura não seria para Cézanne, ou para todo o modernismo, a ilusão verosímil do referente, isto é, a imagem, mas a assunção significante da mancha pictórica, ou seja, a revelação da harmonia do meio: a própria visão ou vera imagem da pintura. Até hoje permaneço encantado com o poder desse desígnio.